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UMA MEMÓRIA DOS TEMPOS DA MÃO-INGLESA
A fundação do Touring Club do Brasil, em 1923, com a denominação de Sociedade Brasileira de Turismo, foi uma das inúmeras expressões cívicas que se seguiram às comemorações do Centenário da Independência do Brasil. Criada para divulgar os recursos turísticos do país junto às então chamadas classes superiores da nossa sociedade - e reverter assim a "monomania de Europa" que dominava as elites brasileiras - a Sociedade descobriu cedo o anacronismo de muitos conceitos burocráticos e sociais prevalecentes no país e trabalhou obstinadamente para modernizá-los.

A partir daí, escreveu-se uma história de rara grandeza entre as instituições civis brasileiras, feita de talento, pertinácia e espírito nacionalista. Já na década de 1920, implantando o Monumento Rodoviário (foto ao lado) para assinalar a política do "presidente-estradeiro" Washington Luís, que tardiamente chegava ao país, a Sociedade Brasileira de Turismo combateu a retrógrada campanha contra as "estradas de bobagem".

O Touring antecipou-se aos governos em informação, sinalização e cartografia rodoviárias.

Em um país onde os documentos veiculares só tinham validade municipal e alguns estados adotavam a mão-inglesa, a Sociedade organizou Congressos que resultaram na padronização de documentos e nas leis de trânsito mais avançadas de sua época. Autorizado pelo governo, o Touring emitia nos anos 30 a "Caderneta de Tráfego Interestadual", que fazia para seus sócios o papel da carteira nacional de habilitação, que não existia.

Nessa década, quando foguetes de sinalização e prancha para atravessar cheias eram equipamentos obrigatórios dos motoristas brasileiros, as placas de informações turísticas e o Plantão Rodoviário da Sociedade - que premiava radiotelegrafistas das Secretarias de Agricultura para que informassem sobre condições das estradas - anteciparam-se aos poderes públicos em informação, sinalização e cartografia. Sua Carta Rodoviária do Brasil, a primeira a ser publicada no país, foi tão precisa e inédita, que os originais cartográficos foram doados ao Exército.

Com o Baile do Municipal e o corso pela Atlântica, o Touring criou os mitos do Carnaval Carioca e da "Princesinha do Mar".

A filiação aos organismos internacionais de turismo, em 1926, deu à Sociedade o direito de se chamar Touring Club do Brasil e abriu canais para divulgar o país no exterior. Com o Baile do Teatro Municipal, os concursos de músicas carnavalescas, os banhos de mar a fantasia e o corso pela Avenida Atlântica, o Touring começou a criar o mito internacional do Carnaval do Rio e mostrou ao mundo uma nova pérola carioca - Copacabana.

Os jornais da época reconheciam que os folhetos em três idiomas publicados pelo Clube, as reportagens nas revistas especializadas dos Clubes estrangeiros e os estandes do Touring nas grandes exposições internacionais, além da sua obra civilizadora nos portos do Rio e Salvador, fizeram do Brasil escala obrigatória de todos os transatlânticos de turismo e, do Rio, o porto onde por mais tempo se demoravam essas luxuosas cidades-flutuantes.

Não foi menor, nem menos pioneiro, o papel do Touring na instituição de uma mentalidade turística interna no Brasil. Em 1932, o clube já levava 150 pessoas "de nossa melhor sociedade" no primeiro cruzeiro turístico que singrou as águas dos grandes rios amazônicos. Foi o "Mensageiro do Progresso", título que lhe deu a imprensa do Norte e Nordeste, impressionada com as compras dos turistas nas cidades de escala. Foi também, mais tarde, o mensageiros da cultura, com as exposições e feiras flutuantes, que levavam ao Norte a recém-criada Petrobrás, as obras do Aleijadinho e outras manifestações do Sul do país.

Foi o Touring que revelou Paulo Afonso ao turismo brasileiro e abriu aos olhos de nossos patrícios uma maravilha nacional que só conhecíamos através da infra-estrutura turística argentina, as Cataratas do Iguaçu. Recuperou Ouro Preto da decadência, levando até lá excursões culturais em trens fretados, que deram um conforto desconhecido às viagens por terra no país. Implantou entre nós a prática do "week-end" e abriu campanha pela proteção ambiental, obtendo do governo a criação do primeiro parque nacional do Brasil, na Serra dos Órgãos

A "Semana da Asa" e a retificação da Rio-São Paulo foram duas das grandes campanhas do Touring

No que diz respeito à preservação da memória nacional, o Touring foi também um inspirado e incansável pioneiro. Lembrou ao país o esquecido sesquicentenário da morte de Tiradentes e recuperou de um incompreensível ostracismo a conquista genial de Santos Dumont, ao criar a "Semana da Asa", em 1935. Nossa terra, onde sequer havia um busto do " Pai da Aviação", viu então expandir-se extraordinariamente a mentalidade aeronáutica. Pelas mãos do Touring, criou-se o "Dia do Aviador" e dobrou em um ano o número de aeroclubes no país.

Não poderíamos deixar sem registro a atuação do Touring nos anos da II Guerra, sua luta para manter a continuidade digna das nossas comunicações internas e externas, dramatizadas pela ação dos navios inimigos. Resultam daí as intensas campanhas do clube pela melhoria do transporte ferroviário, pela viabilização do gasogênio como combustível alternativo imediato, pela retificação de estradas, pela organização das comunicações rodoviárias no país.

A obra do Touring nesse período perpetuou-se no Circuito de Boa Vizinhança, aprovado pelo 6º Congresso Pan-Americano de Estradas de Rodagem; no Congresso Nacional de Carburantes, que desatou o processo de utilização do gasogênio; na construção da Estação Rodoviária Mariano Procópio, a primeira da capital federal e um marco na atualização do transporte rodoviário no Brasil. Perpetuou-se ainda nos Cruzeiros Turísticos Interamericanos, cujas excursões ferroviárias retomaram as relações com os países vizinhos, e sobretudo, na hoje esplêndida Rodovia Presidente Dutra, cujo traçado racional surgiu dos projetos, fotografias, memoriais e campanhas que o Touring levantou, a partir de 1940, pela retificação da antiga Estrada Rio-São Paulo.

Touring foi pioneiro em assistência 24 horas no Brasil

Esta casa, que construiu um soberbo edifício de realizações em favor da nação brasileira, nasceu pobre, morou com humildade em escritórios emprestados e quase sucumbiu às crises patrimoniais que assolaram os idealistas. Salvou-a o próprio talento para descobrir novidades. A partir de 1930, quando iniciou a prestação de um grupo de serviços a automobilistas inédito no Brasil, o Touring acumulou um quadro associativo sem igual no país e tornou-se capaz de consolidar as idéias admiráveis que embalavam seus antigos sonhos.

Os serviços de Assistência 24 Horas chegaram ao Brasil após terem sido observados nos Automóvel e Touring Clubes europeus por diretores do Touring.

A assistência automotiva do Touring era prestada, no Rio de Janeiro, pela Garagem Central, com que o clube fizera contrato. Custava 1 mil-réis por quilômetro rodado pelo reboque. Para executar os serviços de licenças e matrículas de motoristas, o Touring encontrou inicialmente resistências na Inspetoria de Tráfego da polícia do Distrito Federal, pois nunca se ouvira ali uma proposta semelhante. Com uma barraca na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro do Rio, o Touring iniciou em 1931 os serviços de emplacamento de carros de sócios, que evitavam assim as grandes filas que se formavam na repartição oficial.

Nos anos da II Guerra, quando o racionamento de combustíveis prendeu nas garagens os carros particulares a gasolina, a Assistência do Touring reciclou-se para a manutenção desses veículos e para o atendimento volante a carros com motores a álcool e gasogênio.

Um clube de serviços que criou sua própria tecnologia

Logo após a Guerra, face às dificuldades para a importação de reboques, o Touring começou a montar no país seus próprios carros-guincho, contando com a cooperação da oficina que cortava no Brasil chassis longos para a filial da Fábrica de Caminhões International. Desenvolvendo tecnologia própria, o Touring lançou entre nós os guindastes hidráulicos, em 1957, e iniciou a montagem de material rodante de serviços pesados em 1960, em sua oficina de São Paulo, utilizando o então avançado chassi do caminhão Ford F-350.

A partir de meados dos anos 70, de olho nas novas realidades urbanas, o Touring ampliou a oferta de serviços volantes de sua assistência. Lançou veículos menores, para operações de reboque em ruas congestionadas ou interior de garagens; criou unidades de chaveiro e borracheiro volantes; e aperfeiçoou tecnicamente as viaturas para reparos de emergência no local. A versatilidade dessas pequenas oficinas fez com que o número de chamadas resolvidas no local passasse, a partir de 1976, a ser maior do que o número de remoções executadas

No início da década de 1990, o Touring adiantou seus canais de assistência para o encontro com as exigências do próximo século. Auto-socorros Mercedes-Benz, dotados de rampas de acesso (as plataformas móveis, que reduzem o tempo de operação e permitem a assistência simultânea a dois carros) começaram a equipar a frota do clube. Mais recentemente, a incorporação de call centers interligados a softwares de localização geográfica vem ampliar e agilizar a capacidade de intercomunicação entre as várias pontas do processo assistencial.

Por leis federais, o Touring foi o primeiro órgão oficial de turismo do país

De eventos que atravessam décadas, como a Semana Educativa de Trânsito, criada em 1939, a simples concursos de fotografias e livros de viagens, a ação pública do Touring fez-se presente em todos os momentos especiais da vida brasileira nos últimos setenta anos. Essa presença foi espalhando-se pelo país à medida em que o clube ampliava sua rede de Seções estaduais. Em 1938, por exemplo, enquanto o Touring gaúcho iniciava a sinalização turística do estado, a Seção de Minas Gerais já fretava vapores para realizar excursões pelo Rio São Francisco e a Seção baiana administrava um bureau de informações no porto de Salvador, atendendo à Lei 209, que entregava ao Touring a acolhida de passageiros em todos os portos federais.

Foi com esse perseverante espírito de missão comunitária que o Touring Club do Brasil solidificou um prestígio ímpar no país, chegando aos 27 títulos de Utilidade Pública que possui e a ter assento nato no Conselho Nacional de Trânsito e, pela Lei Federal 7.052, em todos os Conselhos Estaduais de Trânsito, como representante dos motoristas amadores. São distinções como essas, que o Touring vem recebendo do governo federal, de estados e municípios desde 1934, quando o Itamarati o designou Órgão Oficial para Fomento do Turismo na América do Sul, que expressam o reconhecimento nacional a uma das poucas instituições do país a acumular sete décadas de serviços à causa pública.


O Monumento Rodoviário (km 80 da Estrada de Rodagem Rio-São Paulo, hoje pista de descida da Rodovia Presidente Dutra, trecho da Serra das Araras)foi construído pelo Touring a partir de 1928 para assinalar o início da Era Rodoviária do governo de Washington Luiz.

O Bureau de Informações que o Touring inaugurou em 1929, na Estação Marítima do Porto do Rio, foi a primeira instalação no Brasil voltada para a recepção do visitante estrangeiro.


Em 1930, o Touring arrendou a Estação Marítima, então semi-abandonada, instalou sua sede e fez dela o ponto de recepção onde por mais tempo se demoravam os grandes transatlânticos que transportavam o turismo internacional dos anos 30.


Com o lançamento pioneiro entre nós dos serviços de assistência ao motorista, em 1930, o Touring tornou-se em poucos anos o maior clube do país e fortaleceu-se para implantar no Brasil a modernização regulamentar do trânsito e uma avançada mentalidade turística.


O Touring foi mal visto na polícia carioca, em 1930, porque queria responsabilizar-se pelo licenciamento e a documentação dos carros dos sócios. Dobrando resistências, o Clube já fazia emplacamento para sócios em 1931, numa barraca do Centro do Rio, levando nisso a metade do tempo que a Inspetoria de Trânsito da polícia demorava.


Impedido de dar descontos a sócios pelo cartel da gasolina, o Touring foi obrigado a abrir seu primeiro posto por conta própria, em 1931. Em troca do terreno, comprometeu-se a preservar árvores e dar 20 réis por litro para a Fundação Ataulfo de Paiva cuidar dos tuberculosos, o que fez até 1941.


Primeira sede em São Paulo (Rua 24 de Maio, nº 1). Com inauguração prevista para 2 de julho de 1932, o Touring paulista só pôde funcionar no ano seguinte, por causa da Revolução Constitucionalista que rebentou em São Paulo a 5 de julho.


Para transformar o carnaval carioca em produto turístico, o Touring criou em 1932 os banhos de mar a fantasia, os concursos de marchas carnavalescas, o corso pela Avenida Atlântica e o Baile do Municipal (foto), que administrou até 1934 e depois passou para a Prefeitura.


Os cruzeiros marítimos, lançados pelo Touring em 1932, mudaram a face do turismo brasileiro. O Cruzeiro ao Norte era apoiado pelo governo federal e chamado de mensageiro do progresso, pelas exposições culturais e industriais que levava à bordo e pelos gastos dos turistas nos portos do Nordeste e da Amazônia.


Na primeira Semana Educativa de Trânsito, organizada pelo Touring em 1939, o carioca atravessou a rua pela primeira vez em faixas de pedestres, que o Clube pintou provisoriamente na Avenida Rio Branco (foto), enquanto ouvia as lições de trânsito que Ari Barroso transmitia pelos alto-falantes.


O presidente Fernando Henrique Cardoso condecora o estandarte do Touring Club do Brasil com a Ordem do Mérito Aeronáutico, durante as comemorações da Semana da Asa, em reconhecimento ao papel do Clube na história da Força Aérea Brasileira.

Touring Club do Brasil 1923-2013

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